
A herança do nosso passado, embora ainda não devidamente valorizada, proporcionou a formação de expressivo circuito histórico, turístico e cultural em Natal. Este trabalho aborda as origens do referido circuito. Quando Portugal iniciou o processo de colonização do Brasil, por meio das Capitanias Hereditárias, os donatários da Capitania do Rio Grande não conseguiram efetivar a ocupação do território a eles concedidos. Posteriormente, já sob o contexto da chamada União das Coroas Ibéricas (1580-1640), no qual Portugal ficou subordinado à Espanha, as Cartas Régias do Rei Felipe II determinaram a concreta ocupação da Capitania. Foi a partir de tais determinações que, a 6 de janeiro de 1598, teve início a construção da Fortaleza dos Reis Magos e, a 25 de dezembro do ano seguinte, a fundação da cidade de Natal. A construção da fortaleza, após a realização de acordos de paz que possibilitaram o relativo apaziguamento dos nativos, tornou-se de fundamental importância para a conquista da região norte da outrora colônia lusitana. Símbolo da colonização portuguesa em nosso litoral, a Fortaleza dos Reis Magos é, atualmente, nosso principal monumento histórico e recebe anualmente milhares de visitantes. Entretanto, o desenvolvimento da cidade ocorreu em uma área relativamente distante da Fortaleza. O plano elevado, onde atualmente encontra-se a Praça André de Albuquerque, no centro da Cidade Alta, é o núcleo do sítio histórico urbano de Natal. Nas suas imediações ficam a Igreja Matriz, cuja construção original data do século XVI, e outras construções de valor histórico, como o antigo Palácio do Governo, inaugurado no século XIX. Por sua vez o bairro da Ribeira, adjacente a esta região, constitui outra parcela do circuito histórico da capital potiguar. A partir do século XIX, este bairro foi emblemático para a evolução urbana de Natal. A Ribeira recebeu a instalação do porto, ampliou seu comércio, abrigou a sede do antigo palácio do governo, implantou o primeiro cinema e, no início do século XX, o melhor teatro da cidade. Seu auge, contudo, ocorreu no contexto da Segunda Guerra Mundial quando atraiu milhares de soldados, brasileiros e norte-americanos, para o seu comércio e sua agitada vida noturna. Dessa forma, várias edificações e monumentos focalizados neste trabalho representam fragmentos deste passado. Natal atrai turistas pela beleza de suas praias, lagoas, por suas dunas e pelo sol que aqui brilha, quase o ano inteiro. Também a seu favor está a constatação de que o nosso município tem um dos ares mais puros das Américas. Temos, ainda, manifestações da nossa cultura, com as festas populares, e outras formas de entretenimento e eventos, além da nossa maneira de bem receber o visitante. A atividade turística é uma fonte de renda importante para o município de Natal. A preocupação com essa atividade levou a cidade a procurar oferecer boas acomodações e serviços de qualidade ensejando a criação do chamado Distrito Industrial da Via Costeira. Em sua área estão instalados hotéis de alto padrão e um Centro de Convenções. Em Natal, o visitante pode dispor de pratos típicos da culinária nordestina e potiguar. Nesta, destaca-se a carne-de-sol, servida com manteiga do sertão (manteiga da terra), feijão verde, macaxeira, farofa d’água e paçoca. Também fazem parte das nossas comidas típicas, o cuscuz, o grude de Extremoz, a cocada e muitos outros. Um dos programas preferidos pelos turistas é o passeio de buggies pelas praias do litoral natalense e das cidades vizinhas, como às dunas móveis de Genipabu e Pitangui, aos parrachos (piscinas de água salgada formada nos arrecifes da praia) de Maracajaú, e lagoas da região. A fim de prolongar a permanência do visitante na cidade, é incentivada a animação turística. Fazem parte dessa animação as festas e manifestações populares (festa dos Navegantes e Santos Reis; o pastoril, congos de calçola, caboclinhos, bambelôs, boi calemba, fandango e lapinha) e casas de shows. Além dessas atrações, uma de nossas principais festas tem sido o Carnatal, carnaval fora de época no início de dezembro, do qual participam grande número de turistas, nacionais e estrangeiros. Tudo isso constitui, hoje, nosso rico circuito histórico, turístico e cuLtural.
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