SALINAS

     Segundo o pesquisador Olavo Medeiros Filho, no ano de 1748, Salinas fazia parte de uma área concedida pelo Senado da Câmara de Natal ao Tenente Coronel Matias Simões Coelho, morador de Aldeia Velha (Igapó). Em muito, as histórias sobre sua área se confundem com a de Igapó, bairro do qual é vizinho. Constam dos registros que o referido militar requereu o lugar conhecido como Porto do Cajueiro, uma pequena elevação do terreno, "dessalgado de águas salgadas na ribeira do rio que vai para Nossa Senhora da Soledade, confrontando com o mesmo rio, a terra corre para o poente, e como se acha desaproveitada, quer o dito plantar suas plantas". Até a década de 40, Salinas tinha um cais de onde era feito o transporte de mercadorias e passageiros por via fluvial. Nas décadas de 40/50, a área chamou a atenção do engenheiro Roberto Freire. Ele pretendia instalar, ali, uma salina e com essa finalidade adquiriu as terras que pertenciam à família Toselli. Com o passar do tempo, verificou-se que fatores de ordem natural, como o alto índice de pluviosidade, dificultaram o sucesso do empreendimento, não justificando investir na atividade naquele local. Após o fechamento da salina, na década de 70, o Governo Cortez Pereira adquiriu o terreno à família Freire, para ali instalar um projeto de criação de camarões em cativeiro. O Projeto Camarão tornou-se realidade, em 1973, aliando as condições ambientais favoráveis e técnicas adaptadas do exterior. Funcionou plenamente até 1976, com repercussão no Brasil e fora dele. Depois disso, mudanças político-administrativas no governo estadual fizeram reduzir a expressividade do projeto. A partir de então, a área foi ocupada por habitações precárias e irregulares por falta de condições ideais de habitabilidade. Essas habitações ficaram conhecidas como Favela Beira-Rio e, recentemente, foi urbanizada (2002), recebendo calçamento, iluminação, drenagem, posto policial e um muro de contenção para evitar alagamentos provocados pelas águas do rio Potengi, que constantemente ameaçavam os moradores locais. Além disso, foram construídas 51 novas casas e mais de 160 foram reformadas, beneficiando 211 famílias. Uma dessas é a família do senhor José Raimundo, vendedor de peixe que mora no local, há cerca de 24 anos e já pensava em se mudar. Outra moradora, a presidente do Conselho Comunitário Olga Marques Severiano, residente na comunidade há 19 anos. Segundo ela, a urbanização foi uma grande vitória. A grande maioria das casas estava comprometida e os alagamentos eram constantes. A maré alta do rio Potengi atingia os barracos e trazia lixo, lama e provocava afogamentos, disse Olga. O projeto de urbanização da comunidade Beira-Rio foi baseado em projeto implementado no Rio de Janeiro. Nele foram investidos recursos da ordem de R$ 1,8 milhão e cerca de 211 famílias beneficiadas mudando a fisionomia do lugar. Salinas foi instituído pelo Plano Diretor de 1984 como Zona de Preservação Moderada, permitindo usos restritos. Nestes, se incluem granjas, sítios, áreas de cultura e lazer, pesquisa científica e produção de alimentos. Sua oficialização como bairro, no entanto, se deu pela Lei nº. 4.328, de 05 de abril de 1993, publicada em 07 de setembro de 1994, quando também teve definidos os seus limites.

 

 

 

 

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