REDINHA

    O bairro da Redinha era inicialmente uma colônia de pescadores, que durante a II Guerra Mundial serviu de acampamento para a tropa de combatentes brasileiros. Seu nome é de origem lusitana; provém do nome de uma vila em Portugal, como tantos outros da nossa cultura.Uma das referências históricas da Redinha é o chamado Cemitério dos Ingleses. Nos idos de 1869 numa pequena elevação entre o rio Potengi e a gamboa Manibu, foram erguidos túmulos de ingleses e suíços não católicos, que viviam na cidade e que morreram em conseqüência de epidemias que grassavam na época. Hoje o lugar encontrase ocupado por coqueiral Por muitos anos foi, praticamente, a única praia de veraneios de Natal. A Praia da Redinha é cercada de lirismo por aqueles que viveram agradáveis veraneios no lugar. Um desses, Gil Soares, sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico, marca o dia 22 de novembro de 1921 como a data da fundação da Redinha como praia de veraneio. Segundo ele, a praia possuía somente casas de palha, geralmente habitadas por pescadores e rendeiras. Conforme seu relato, naquela data, as cinco primeiras famílias desembarcaram no porto velho. De manhã, eles seguiam para o trabalho num pequeno bote à vela e, no final da tarde, retornavam, partindo do cais da Associação da Praticagem, no começo da atual Rua Chile. O único transporte regular entre aRedinha e a outra parte da cidade era subvencionado pelo Estado, a canoa do velho Piéca. Pela manhã a canoa levava lavadeiras para o trabalho no Rio Doce e voltava à tarde. Ainda cedo a canoa ia ao Passo da Pátria, levando Cidade Alta, retornando depois do meio-dia. A Redinha de Dentro era, na década de 20, do século passado, local muito apreciado para pequiniques e peixadas, inclusive por pessoas ilustres de Natal. O ano de 1924 foi considerado o de maior afluência de pessoas, algumas das quais de fora de Natal. Nessa época deu-se a construção da capelinha de Nossa Senhora dos Navegantes, em ponto mais elevado, e do Redinha Clube, construído em madeira, próximo à beira mar. Em meados de 1927, o aeroplano que trazia o Coronel Valchet, francês, que veio estudar as condições de Natal para a primeira escala da linha postal aérea Paris - Buenos Aires, só conseguiu descer na Redinha. Foi o primeiro monomotor a fazer escala em Natal. A partir da década de 70, surge a Redinha Nova, entre a ponta de Santa Rita e a Redinha. Um observador da cena urbana natalense, o jornalista Vicente Serejo, admirador apaixonado do lugar, escreveu em suas Cartas da Redinha : “A Redinha nova começa com as edificações feitas depois dos limites da vila. A partir das casas depois do campo de futebol, tudo é Redinha Nova na direção do Norte. Mas, a planície de dunas entre a Redinha Nova e a Ponta de Santa Rita, mesmo com outras praias nomeadas, é normalmente chamada de Fere-Fogo”. Alguns costumes são tradicionais na Redinha, dentre eles comer jinga com tapioca no mercadinho local e a festa de Nossa Senhora dos Navegantes. Em suas crônicas Serejo assim registrou:” No dia da Festa, desde muito cedo, o movimento é maior e das barracas todos aguardam as primeiras horas da tarde, quando a procissão de terra deixa a igreja grande, feita de pedras pretas, enquanto a procissão marítima ou fluvial para ser mais específico, começa dos lados da Redinha”(...) Nada é mais bonito e comovente, sr. Editor, do que a fé inabalável do povo levando sua santa nos ombros depois no barco.” Noutra de suas crônicas ele lembra o hábito de comer ginga: ”Como os veranistas gostam mais de peixe grande, peixe de filé ou posta, como dizem, quase não é possível vender as piabas que pescam. A não ser a ginga, peixe miúdo pescado nas gamboas do Potengi, em forma de espeto feito de ponteio de palha de coqueiro. Cada “palha” de dez gingas é uma unidade de venda e tiragosto”. Incorporada ao território do Município de Natal, pela Lei n.º 603, de 31 de outubro de 1938, era uma estância balneária no subúrbio da Cidade.Teve a Redinha seus limites definidos, quando da sua oficialização como bairro, pela Lei n.º 4.328, de 05 de abril de 1993, publicada no Diário Oficial em 07 de setembro de 1994.

 

 

 

 

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