
Onde se ergue o Teatro Alberto Maranhão, antigo Teatro Carlos Gomes, tomavase banho salgado em fins do século XIX, relata Cascudo, fazendo o histórico da ocupação do atual bairro da Ribeira. A Praça Augusto Severo "era uma campina alagada pelas marés do Potengi. As águas lavavam os pés dos morros". Documentos falam do plantio de coqueiros, até o século XVIII, como zona de sítios e armazéns de mercadorias exportadas para Pernambuco. A Cidade Alta aparecia como bairro residencial e comercial, enquanto as ruas Duque de Caxias, Dr. Barata, Chile e Frei Miguelinho continuavam desertas. Em 1850, foram construídos diversos prédios na Rua do Comércio (Rua Chile) e, em 1869, o Cais 10 de junho (Tavares de Lira). No ano seguinte, Pedro de Barros Cavalcante transferiu a sede da Administração Provincial da Rua da Conceição, na Cidade Alta, para o sobrado da Rua do Comércio, na Ribeira. Somente em 1902, a sede do Governo voltaria à Cidade Alta. O crescimento da Ribeira se deu no final do século XIX para o início do século XX. Em 1905, o bairro foi o primeiro a receber iluminação pública. Posteriormente, teve hotéis, casas comerciais, clubes de dança e o primeiro cinema, Politheama (1911). O bairro teve seu período áureo nos anos 40, quando era núcleo do comércio de Natal, atraindo as mais importantes figuras da elite natalense e o povo em geral com grande movimentação no final das tardes. Durante a Segunda Guerra Mundial, por lá circulavam personalidades civis e militares mundiais, hospedados no Grande Hotel, o mais importante da cidade naquela época. Terminada a Guerra, o bairro começa a se esvaziar, grande parte das casas comerciais fechou ou se transferiu para a Cidade Alta e Alecrim. Na década de 60, a Ribeira teve raras intervenções do poder público. Em 1966, por iniciativa do prefeito Tertius Rebelo, começam a circular as barcas para a Redinha e, em 1983, ficam concluídos a drenagem e o esgotamento sanitário do bairro, acabando com os constantes alagamentos no período chuvoso. Visando a tirar a Ribeira do marasmo que a atinge após o horário comercial, fazendo reviver os velhos tempos, boêmios e intelectuais natalenses procuram achar uma saída para a revitalização do bairro. Em 1993, o Seminário Ribeira Velha de Guerra discutiu propostas para o bairro. Uma dessas foi o Projeto VIVA A RIBEIRA. Outros projetos vêm sendo pensados, tanto pelo poder público quanto pela iniciativa privada, com vistas à revitalização deste, que é um dos bairros de Natal melhor dotados de infra-estrutura urbana. A partir de 1994, a Ribeira começou a receber intervenções, através do Projeto de Revitalização, compreendendo projetos de calçamento, iluminação e recuperação de fachadas dos imóveis da Rua Chile. O bairro já recebeu homenagens em letras de músicas, livros e crônicas. Oficializado como bairro pela Lei n.º 251 de 30 de setembro de 1947, na administração do Prefeito Sylvio Piza Pedroza, teve seus limites redefinidos na Lei n.º 4330, de 05 de abril de 1993, publicada no Diário Oficial em 07 de setembro de 1994.
|
Guia de Menu: |