LAGOA SECA

     O bairro de Lagoa Seca era uma propriedade do Cabo Belchior Pinto que trabalhava na Fortaleza dos Reis Magos. Em 04 de abril de 1719, o Senado da Câmara concedeu as terras ao militar. Pela carta de petição, sabe-se que o cabo tinha, no local, algumas criações de gado e pretendia fazer suas lavouras, mas não possuía terras para tal. Media 100 braças de comprido e 50, de largura, começando no lugar onde se encontra Lagoa Seca em direção a Morro Branco. Em seu livro Terra Natalense, Olavo Medeiros registra "A Lagoa Seca ficava em uma das esquinas formadas pelas atuais avenidas Prudente de Morais e Alexandrino de Alencar. Seu sangradouro encontrava-se no Riacho do Baldo, que por sua vez, provinha da Lagoa Manuel Felipe. O Morro Branco deveria ser localizado na direção para onde corria o riacho, proveniente da Lagoa Seca". (Medeiros, 1991:83). No início do século passado, na Lagoa Seca, havia plantas silvestres vacarias e sítios e era um dos arrabaldes mais visitados pelo natalense. A partir de 1920, foi se formando uma aglomeração em torno da Lagoa Seca. A 06 de setembro de 1931, foi inaugurada uma capela e, em 1935, a primeira escola do bairro, conhecida, na época, como o grupo escolar de dona Hermelinda Vasconcelos, atualmente, Escola Estadual Mascarenhas Homem. A parede da igreja foi usada para projetar filmes e, nas imediações, havia um coreto, nos cruzamentos das ruas São João e Alberto Silva, onde se concentrava a diversão do bairro. Lagoa Seca é único bairro de Natal onde existe um baobá que, segundo Cascudo, foi trazido ao Estado por escravos africanos e, segundo se acredita, é indicado contra o mau olhado. O baobá está localizado na rua São José, adotado pelo poeta Diógenes da Cunha Lima, com vistas à preservação da árvore, com cerca de mais de 200 anos. Conta-se que o escritor Saint Exupéry, juntamente com Jean Mermoz, em sua passagem por Natal visitou o baobá, que corresponde à árvore apresentada no livro O Pequeno Príncipe. O nosso historiador também informava que, os líderes e guerreiros africanos eram sepultados nos troncos dessas árvores para que pudessem viver eternamente. Dentre os moradores que trabalharam para o melhoramento do bairro estão figuras como as educadoras Hermelinda Fernandes e Maria Fernandes, o mestre de obras Antônio Soares, um dos fundadores do círculo operário de Lagoa Seca, e Anacleto Benigno de Moraes. Lagoa Seca foi oficializada como Bairro pelo decreto-lei nº. 251, de 30 de setembro de 1947, na administração do Prefeito Sylvio Piza Pedroza. Através da Lei nº. 4.327, de 05 de abril de 1993, publicada no Diário Oficial, em 07 de setembro de 1994, teve sua área definida por desmembramento, sendo sua área remanescente transformada no bairro do Barro Vermelho.

 

 

 

 

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